FOLGUEDOS





FOLGUEDOS

"Considerados pelos estudiosos como a principal característica das festas tradicionais, religiosas ou não, os folguedos populares englobam brincadeiras, diversões, artes e artesanato, danças e bailes, músicas e cantorias, jogos e sortes, o comércio de artigos regionais, os autos e as representações teatrais (...), as pantomimas e os teatros de bonecos, entre muitos outros", ensina Emília Biancardi, em "Raízes Musicais da Bahia" (pág. 55, grifamos).
O termo "folguedo" tem, portanto, várias acepções, mas a tendência entre a maior parte dos folclo-ristas é de usá-lo restritivamente, num sentido mais específico, para designar as manifestações em que existe alguma representação dramática, com personagens definidos.
Segundo Maria de Lourdes Borges Ribeiro, a dança folclórica "é a manifestação de um grupo de estrutura simples, apenas mestre e dançadores, com coreografia própria, sem texto dramático, com ou sem indumentária determinada"; "o grupo de folguedo tem uma estrutura complexa, com mestre, dançadores, per¬sonagens com hierarquia e atuação definida, indumentária determinada, elementos tradicionais, ensaios, parte dramática" (em "Folclore", Biblioteca Educação e Cultura, MEC).
Veríssimo de Melo, por sua vez, diverge, considerando equivalentes os termos danças e íolguedos populares, apresentando uma outra distinção entre folguedos e autos): "Entre as danças folclóricas, em geral, há que se separar os autos populares ou danças dramáticas (...) das outras danças ou folguedos populares. Os autos apresentam um enredo, uma estória. Os folguedos circunscrevem-se à coreografia, ritmo e música" ("Folclore Brasileiro - Rio Grande do Norte").
Muitos folcloristas, entretanto, referem-se ao "bumba-meu-boi", por exemplo, como auto ou como folguedo, indistintamente. São, enfim, amplas a diversificação terminológica e as distinções entre os fenômenos denominados. Usam-se "dança dramática", "auto", "folgança", "bailado", "cortejo".

Para Maria Amália Corrêa Giffoni em "Experiência de Pesquisa e Aplicação Didática de Danças Folclóricas", folguedos, ou bailados, danças-dramáticas e autos constituem denominações diferentes do mesmo fato folclórico, incluindo cortejo, danças, cantorias e declamação (Anuário do 28° Festival do Folclore).
Não obstante as divergências, é oportuno ressaltar que a grande mai¬oria dos autores utiliza os termos "danças" e "folguedos" quando tratam do assunto. Do mesmo modo, consta do Capítulo IX do texto resultante da "Releitura" da Carta do Folclore Brasileiro, produzido no VUI Congresso Brasileiro de Folclore, em dezembro de 1995, em Salvador, Bahia: "Grupos Parafolclóricos - São assim chamados os grupos que apresentam folguedos e danças folclóricas (...)".
Poderíamos, então, estabelecer esta distinção: a existência de dramatização e de personagens específicos, presentes no folguedo, o distingue da dança. Há, no entanto, manifestações em que a dança é apenas parte, mas não essencial, de determinado "folguedo", podendo inclusive nem ocorrer, assim como, em alguns "Bois", por exemplo, o episódio da morte e da ressurreição do animal pode também não ser encenado.
Sendo assim, consideramos oportunas as conceituações de Américo Pellegrini Filho, segundo o qual Dança Folclórica é "forma de expressão tradicionalmente popular que se baseia em movimentos rítmicos do corpo ou parte dele (especialmente os pés), em geral acompanhados por música e canto, e aprendida de modo informal por contatos interpessoais" ("Danças Folclóricas", pág. 26, 2a edição, Ed. Esperança); e Folguedo é "forma folclórica com estrutura, personagens e às vezes enredo, incluindo comumente danças ou coreografias reduzidas.
E integrado, geralmente, por pessoas mais ou menos constantes que mantêm um tema central tradicional. Pode não ocorrer a representação teatral (o desenvolvimento de um enredo), mas pelo menos se observam a organização de cortejo, a estrutura coletiva, os trajes especiais. Desse modo, o folguedo popular é uma forma folclórica mais ampla e complexa que a dança e chega mesmo a incluir danças".

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