VÁRIOS ESTILOS DE DANÇAS DE ESTADOS SDIFERENTES.





PAU-DE-FITA

Considerada uma dança universal, é a sobrevivência de antigos rituais de cultos às árvores. Muitos povos dançaram em torno delas, que são símbolos de fertilidade, adornando-as de várias cores. Um dia, alguém a enfeitou com fitas. Mais tarde, alguém tomou dessas fitas enquanto dançava. O exemplo foi imitado e a coordenação de movimentos deu origem à dança.
Do topo de um mastro de cerca de três metros de comprimento, partem fitas coloridas. Os dançadores, em torno do mastro, cada um segurando uma fita, vão trançando-as, formando figuras. O número de dançantes deve ser sempre par para que as "tramas" ou "tranças" possam ser levadas a bom termo.
Dançada em quase todas as regiões do Brasil, recebe diferentes nomes, conforme o local: Tipiti, Dança-das-fitas, Dança de trançar, Folguedo-da-trança, Trança-fitas, entre outros.

QUADRILHA


Típica de festejos juninos, a Quadrilha surgiu como dança aristocrática, proveniente dos salões da França, divulgada depois entre os europeus. Introduzida no Brasil como dança de salão, ela foi apropriada e reelaborada ao sabor popular.
Dos salões nobres, foi levada à zona rural, de cujas festividades é normalmente parte. Propagou-se pelas cidades e hoje é tradicionalmente dançada nas festas juninas. Há competições de Quadrilhas nas grandes festas.
Um "casamento na roça" é às vezes encenado.
Várias são as figurações que os dançarinos desenvolvem, sob o comando de um mestre, o "marcante" ou "marcador":


CANA-VERDE

E uma dança proveniente da província portuguesa do Minho, Portugal, que por aqui muito se disseminou. Encontram-se diferentes versões dessa dança em vários Estados brasileiros, quanto à coreo¬grafia e à música. Também chamada Caninha-verde.
Outros folcloris-tas discordam, a exemplo de Alceu Maynard Araújo (op. cit, pág. 182), que cita também Corné¬lio Pires, para os quais "não se deve confundir a dança portuguesa da 'Caninha-verde' com a nossa 'Cana-verde'".
Entretanto, a confusão já está feita. Na "Caninha-verde" do Ceará, único local em que a dança se apresenta da forma a seguir descrita, a indumentária, aliás, se baseia em trajes da corte portuguesa no Brasil, mas com um exagero carnavalesco bem próprio dos brasileiros.
No decorrer da coreografia, os "nobres" saem dançando, envolvidos pelos súditos, todos muito festivos, "a cantar" e "a dançar" ao som de pandeiros, bandolim, violão e cavaquinho. Na Cana-verde gaúcha, a dança é mais lenta, predominando a alternância de passos de juntar e de recuo, com giros dos cavalheiros e damas, ora com seus respectivos braços direitos entrelaçados, ora com os esquerdos (frentes dos corpos ao contrário), ao som da conhecida música "Eu plantei a cana-verde, sete palmos de fundura (...) não levou nem sete dias, a cana estava madura". Da "Cana-verde de passagem", paulista, trataremos oportunamente, no rol das danças da região Sudeste.

XOTE

E uma dança de salão, aristocrática, que saiu das "altas rodas", incorporando-se aos bailes populares. São usuais as pronúncias xote e xotes. Alguns dizem que a origem dessa dança é alemã; outros, escocesa; outros, ainda, holandesa. Alceu Maynard preferiu dizer que é de origem européia (schotisch).
No Norte do Brasil, há o Xote Bragantino (de Bragança Paraense, Pará), que também faz parte da Marujada em Bragança, dançado por pares, sempre em roda, em meio a volteios e batidas fortes dos pés contra o chão, na cadência da música, cujo passo principal é a saudação entre os cavalheiros e as damas (estas, com os braços esticados, sustém levemente, com as pontas dos dedos, parte de seus vestidos, próxima barra, fazendo uma ligeira genuflexão; aqueles fazem uma flexão de tronco, frente delas, cumprimen-tando-as).
No Nordeste, região do país em que é mais executado, ao som das sanfonas ou foles nos bailes populares, o xote é dançado de diversas maneiras, havendo muitas variantes: xote pé-de-serra, xote batido, xote pé-de-parede. Xote, aliás, é um dos ritmos de forró na região mais festeira do Brasil, valendo lembrar que não há um tipo especial de música denominada "forró"; este termo designa o local e a reunião de dançadores, onde são tocados xotes, xaxa-dos, baiões, entre outros ritmos.
No Rio Grande do Sul, onde se amoldou à instrumentação típica, mormente a "cordeona", há também algumas variantes, dentre as quais se destacam o Xote-carreirinho variante cuja maior característica é um movimento coreográfico em que os pares, enlaçados, dão passos ligeiramente "arrastados" e sapateados, numa "cor-ridinha" bem como uma outra muito curiosa, o "Xote de duas damas".
Nessa última modalidade coreográfica "realmente excepcional", "não só no meio rio-grandense, como no meio universal", no dizer de Paixão Cortes e Barbosa Lessa cada cavalheiro dança com duas damas, executando os passos da dança, ladeado por cada uma delas, de mãos dadas os peões segurando, com cada uma das suas, as respectivas mãos, direita e esquerda, de suas "duas damas" elevadas próximo à altura de seus ombros.
Segundo referidos autores, não se sabe "por que milagre veio surgir entre os gaúchos" essa variante do xote. "Influência dos platinos, através do 'palito'? Ou influência dos imigrantes alemães, numa reminiscência das antigas danças germânicas desse gênero?", indagam eles em "Manual de Danças Gaúchas" (pág. 91, Irmãos Vitale Editores).

CIRANDA


Essa dança de origem portuguesa também apresenta variações pelo Brasil afora. "Ciranda" é designação para as rodas infantis em diversas partes do Brasil. Em outras, não é especificamente dança de crianças.
No Nordeste, em especial nos Estados de Pernambuco e Paraíba, é dança de roda em que os dançarinos se dão as mãos e balançam o corpo enquanto se movimentam em sentido anti-horário, dando passos para dentro e para fora do círculo, ao som de músicas produzidas com o uso de instru¬mentos de percussão, como tarol, bumbo, ganzá, e de sopro (pistons, trombone).
Na região do Tapajós, Pará, existe a "Ciranda do Norte", que se distingue pela mistura de vários ritmos, como o xote, a valsa e outros, que tornam a dança ora suave, ora acelerada. É dançada ao som de banjo, flauta, curimbós, maracás, reco-recos, seguindo-se a marcação do compasso feita pelo pandeiro, violão e apito.

FANDANGO

Usa-se o termo "Fandango" para designar uma série de danças populares. Em São Paulo, no litoral, informa Caseia Frade, Fanpescadores, realizadas na faixa litorânea do Estado.
Vejamos mais alguns folguedos e danças, doravante segmentados de acordo com as regiões do país.

DANÇA DE SÃO GONÇALO

Dança de intenção religiosa, praticada geralmente em cumprimento de promessa, por devoção a São Gonçalo. E repleta de variantes pelo Brasil. No Mato Grosso, por exemplo, é dançada aos pares, e a imagem do santo é passada de mão em mão; em São Paulo, em forma de cortejo, uma fileira de mulheres, outra de homens; em Goiás, dançam apenas homens; em Minas Gerais, só mulheres, portando arcos, com apenas um homem representando o santo.
Dango compreende uma série de danças de pares mistos; no interior, é uma dança que muito se aproxima da catira ou cateretê, por causa do sapateado, dançada só por homens, que usam chapéu e lenço ao pescoço e botas com chilenas de duas rosetas. No Nordeste, como vimos, é o nome que em algumas localidades se dá à Marujada.
Na região Sul, significa festa que reúne diversas danças regionais. No Paraná, especificamente, merecem relevo o conjunto de "marcas", nome com que se designam as danças apresentadas em estas típicas de caboclos e da Região Norte.

LUNDU MARAJÓ

Trata-se de uma autêntica representação coreográfica de uma conquista amorosa, empreendida com sedutores passos e movimentos. De origem africana, essa é a mais sensual das nossas danças populares. Na música que a acompanha, predominam instrumentos de sopro e atabaque, num ritmo lento e cadenciado. Chegou a ser proibida pelo governo federal, que cedeu às instâncias da Igreja Católica, que a considerava imoral.
Não é mais mostrada como no passado, em que as negras a dançavam com os seios à mostra. As dançarinas usam blusas curtas e saias rodadas e os homens, sem camisa (dependendo do local) ou com calças curtas.

SÍRIA


O nome é apócope de "Sirial", denominação dada pelos negros ao local em que recolhiam siris. Essa dança provém da região de Cametá, Pará. Os movimentos coreográficos _ lentos inicialmente, acelerando-se do meio para o final _ evocam os que os pescadores executam para a coleta de siris. Os dançarinos usam grandes chapéus de palha, a exemplo dos pescadores da referida localidade.

CARIMBO


Expressão máxima das danças folclóricas paraenses, o Carimbo é de origem indígena, dos Tupinam-bás, com marcante influência negra e portuguesa. Aos tambores so¬mam-se outros instrumentos como banjo, maracás, reco-recos, flautas e pandeiros, numa mistura de sons que imprime ao ritmo uma característica singular.
O nome, de origem tupi, deriva do principal instrumento utilizado (um atabaque grande), o curimbó (curi - pau e m'bó - oco ou furado). Merece destaque a brincadeira do lenço desenvolvida na dança, em que os dançarinos vão se abaixando, com as pernas abertas e esticadas, para pegar com a boca o lenço deixado no chão por uma dançarina, sem tocar a mão ou qualquer outra parte do corpo no chão.

RETUMBÃO


E uma das manifestações que integram a Marujada de Bragança Paraense. As mulheres saem em cortejo pelas ruas da cidade, acompanhadas pelos homens e tocadores. E uma dança comandada pelas mulheres, por meio da Capitoa, que ostenta em suas mãos um bastão de madeira, ornado de flores, usado para indicar as mudanças de direção e de passos.
As vestimentas do Retumbão são as mesmas usadas na Marujada. O ritmo da dança é determinado pelo tambor, o "bagre". Dizem que o nome da dança provém das narrativas da região, segundo as quais eram "retumbantes" os sons dos tambores, fazendo-se ouvir a grandes distâncias.

CHULA MARAJOARA


É uma dança que louva divindades como São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, em cujas festividades, na Ilha do Marajó, é bastante freqüente. E dançada apenas por mulheres, descalças e com roupas estampadas, representando uma alegre forma de louvação.Os trajes usados nessa dança, lembrando a roupa característica do vaqueiro dessa região, cujos movimentos em seu trabalho são coreo-graficamente imitados.

MARABAIXO


Do Estado do Amapá, é uma dança de origem negra, cujo ritmo é cadenciado por toscos tambores de madeira. Trata-se de um folgue¬do de maior ocorrência no Sábado de Aleluia e Domingo da Páscoa. As mulheres usam vestidos estampados e os homens, calças brancas, camisas bordadas e chapéus de palha. Alguns dos movimentos dos dançarinos fazem lembrar um pouco os da capoeira. Mas no Ma-rabaixo não se segue uma coreografia básica; a improvisação é comum nessa dança.

DESFEITEIRA


Do Amazonas e do Pará, é uma dança lúdica, de origem portuguesa. Os pares vão dançando livremente. Há uma súbita parada da música executada pelo conjunto musical. O par que diante deste se encontra, no momento, é obrigado a declamar algum verso. Caso não o faça, é vaiado e deve pagar uma prenda.
Fecha-se o círculo de dançadores, homens e mulheres são posicionados alternadamente, de mãos dadas, com força, ou de braços entrelaçados, e o solista tenta escapar do cerco. Ao conseguir, é substituído. E corrente nos povoados próximos ao Rio Madeira, em Antazes e em Novo Aripuanã.

DO NORDESTE


CAPOEIRA

Capoeira é dança, é jogo, é contenda. Antes, uma arma dos negros por sua liberdade; hoje, uma luta dançante, ao som de pandeiros, agogôs, atabaques e berimbaus. Foi introduzida no Brasil pelos escravos africanos, mas o nome é de origem tupi (Kapu'era), segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda, significando "terreno em que o mato foi roçado ou queimado para o cultivo da terra ou para outro fim". E muito corrente na Bahia, mas há vários estilos de capoeira por todo o Brasil.


VAQUEIRO DO MARAJÓ

Típica da Ilha do Marajó, Pará, onde há o maior rebanho de búfalos do país, esta dança retrata a lida dos vaqueiros do Norte do Brasil. Os dançarinos portam um laço para pegar gado e o giram acima de suas cabeças, simulando o preparo de uma laçada.

JACUNDÁ

Dança amazonense cujos passos se inspiram nos belos movimentos de nado do homônimo peixe. Os dançadores, em roda, giram no sentido anti-horário. Num dado momento, um solista fica no centro, dançando; é o "Jacundá".

BACAMARTEIROS OU BATALHÃO DE BACAMARTES

Conjunto de homens portando armas rudimentares denominadas "bacamartes", com pólvora de fabricação caseira, cujos tiros são disparados em manifestações populares como procissões, quermesses e outros festejos. Ao proceder aos tiros, em diversas posições, sem deixar cair o "bacamarte", os baca-marteiros demonstram sua destreza e habilidade.
O grupo Bacamarteiros de Carmópolis, Sergipe, surgiu no início do século XIX. Desse grupo, fazem parte 40 homens e 20 mulheres, todos com roupas típicas do ciclo junino, que, após os tiros, dançam um samba de roda.

PARAFUSOS

Os parafusos representam uma referência coreográfica aos furtos cometidos por escravos fugitivos, que, em horas mortas, nas noites de lua cheia, saíam de seus mocambos (refúgios) nas matas e vestiam as anáguas das sinhás deixadas ao sereno, umas sobre as outras, até cobrir o pescoço.
Assim, saíam pelas ruas, dando pulos, fazendo assombração. O medo dos assombrados era maior que o impulso de tentar a recuperação de seus pertences, pois acreditavam que estavam sendo vítimas de almas de outro mundo.
Alforriados, os escravos festejaram vestidos tal qual faziam antes, para zombar de seus antigos senhores.
O grupo folclórico "Parafusos", de Lagarto Sergipe faz uma festiva referência a esses fatos que ali teriam se sucedido. Os integrantes usam turbantes, com o rosto pintado de branco, e, vestidos com anáguas, dançam, girando, fazendo lembrar a imagem de um parafuso.

MACULELÊ

Dança guerreira de origem africana, em que os participantes, geralmente apenas homens, dançam ao som de atabaques e agogôs. Os escravos dançavam o Maculelê nos canaviais com pedaços de cana (a roxa, mais resistente).
Conta-se que em ocasiões de tentativa de fuga de algum escravo, o Maculelê era dançado, para distrair os feitores, facilitando a evasão. E proveniente de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. O entrechoque de bastões e facões, pelos integrantes dos grupos, marcam essa manifestação, que teria também recebido influência indígena, segundo alguns folcloristas.

TAIEIRAS

Grupo de senhoras que acompanhavam a festa de Nossa Senhora do Rosário, na celebração de São Benedito, no dia 6 de janeiro, dançando e cantando, em Lagarto, Sergipe, terra natal de Silvio Romero, que fez registro dessa manifestação, vestidas com roupas similares às tradicionais das baianas. Originalmente, o grupo era composto de mulatas que seguiam a procissão. Essa tradição é mantida em Lagarto, Sergipe, onde é ampla a participação das Taieiras em eventos comemorativos religiosos.

REISADO

É do chamado ciclo natalino (período de celebração ao nascimento de Jesus Cristo). Atribui-se a São Francisco de Assis o surgimento de autos natalinos. Ele teria promovido uma representação de um presépio, com personagens da Bíblia, em 1223.

De origem portuguesa, é um folguedo nordestino que celebra o nascimento de Jesus e os três Reis Magos que o visitaram na ocasião, tal como as Folias de Reis do Sudeste, de que logo trataremos, das quais, aliás, diferem principalmente pelo figurino, pois, no Reisado, o traje é mais diversificado e colorido, com o uso de chapéus representando torres ou fachadas de igrejas.

COCO

De origem negra, essa dança surgiu nos engenhos, no período da escravidão. Os escravos, para amenizar as dores decorrentes dos esforços empreendidos para quebrar cocos secos com os pés, faziam deles instrumentos musicais, cantavam e dançavam a dança de roda, às vezes com palmas e sapateados. Tamancos às vezes são usados para lembrar o barulho da quebra dos cocos. Teria surgido em Alagoas, mas se difundiu por todo o Nordeste, sendo também dançada, com variações, pelo Brasil.

QUILOMBO

É um folguedo alagoano de origem africana, surgido após o malogro dos quilombolas dos Palmares. Evoca as ferrenhas e sanguinárias lutas travadas entre os escravos fugitivos e os implacáveis capatazes.
Outros autores defendem que não há vínculo entre esse folguedo e o referido acontecimento histórico, argumentando que se trata de uma reinterpretação erudita de danças brasileiras e européias, representando lutas ora entre negros e brancos, ora entre mouros e cristãos, ora entre negros e índios ou caboclos.
O conjunto musical é o Terno de Zabumba. A coreografia é uma simulação de luta, com o uso de foices pelos negros e de arcos e flechas pelos caboclos.

PASTORIL

Folguedo também pertencente ao "ciclo natalino", o Pastoril faz referência à adoração dos pastores ao Menino Jesus, por ocasião de seu nascimento. As "pastoras" (como são chamadas as integrantes desse folguedo) dividem-se em dois "cordões", o Azul e o Encarnado. Usam saias, blusas, aventais, portando pandeiros.
Da indumentária das pastoras pertencentes a cada um desses cordões, faz parte alguma peça da respectiva cor, azul ou encarnada. Há bailados, cantos, recitativos e diálogos homenageando o nascimento do Messias. E um folguedo muito conhecido no Nordeste, cultivado com mais evidência no Estado de Alagoas.

GUERREIRO

O Guerreiro deriva de reisados alagoanos. Mas a riquíssima indumentária e um número maior de figurantes e episódios imprimem ao "Guerreiro" uma característica mais moderna em comparação aos antigos reisados.
Destaca-se no Guerreiro o uso de grandes chapéus, em formato de igreja, chamados "capelas", que são enfeitados com pedras e espelhos (que, dizem, devolvem o mau-olhado a quem o lança).
Os personagens são rei, rainha, contramestre, embaixadores, general, lira, índio Peri e seus vassalos, Mateus, dois palhaços, sereia, estrela de ouro, estrela brilhante, estrela republicana, a banda da lua e as figuras. As vezes, o tradicional "boi" e a Catirina também surgem no final.

BAIANAS ou BAIANA

Originária de Pernambuco, nessa dança se apresentam mulheres trajadas com vestes tradicionais de baianas, que dançam e fazem evoluções ao som de instrumentos de percussão. E considerada uma adaptação rural dos maracatus pernambucanos, mesclada com músicas que fazem lembrar o canto dos negros nas senzalas e a coreografia por eles criada nos terreiros da Casa Grande. Quentes e voluptuosos são os movimentos e os ritmos que acompanham a dança.

FREVO

Máxima expressão do carnaval pernambucano, embora se tenha espraiado por todo o Nordeste, Frevo é uma dança que ganha as ruas e os salões no ciclo carnavalesco. É dançada individualmente. Acelerados e energéticos são os passos dos dançarinos, que, em rápidos movimentos, se abaixam e se alteiam, esticando e dobrando suas pernas.
E uma dança que deriva da capoeira. Gustavo Cortes informa que "das lutas de capoeira surgiram os passos geométricos e ritmados que compõem a dança. (...) As sombrinhas, que eram utilizadas como arma no passado, viraram adereços coloridos, servindo para dar equilíbrio e graça aos eletrizantes passos e tornando-se tradicional nos malabarismos executados pelos dançarinos" ("Dança, Brasil", pág. 87, Ed. Leitura).
Mário de Andrade via no guarda-chuva dos passistas "uma desinência decadente (generalizada pelo auxílio de equilíbrio que isso pode dar) dos pálios dos reis africanos, até agora permanecidos noutras danças folclóricas nossas", citado por Alceu Maynard Araújo (op. cit, pág. 254), o qual, por sua vez, assim se refere ao frevo: "dança alucinatória do carnaval pernambucano".
A música, ditada por trombones e pistões, em que, segundo ele, está a grande força dessa dança, "dá oportunidade para que a coreografia se enriqueça ao máximo com o frenesi dos seus praticantes" (op. cit., pág. 253). O nome vem de "ferver", "fervura". Para a gente simples do povo, "frevura", que culminou em "frevo"."

XAXADO

E uma dança proveniente do sertão pernambucano que se espraiou por todo o Nordeste, divulgada pelo cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", e seu bando, os quais, dizem, também seriam seus autores. "E dança de cangaceiro, dos cabras do Lampião", canta-se. Inicialmente, era dançada apenas por homens, em festas e em preparativos para combates.
Atualmente, já se verifica a participação feminina no Xaxado. Há passos rápidos, em que o pé direito cruza o outro, num sapateio deslizante e célere. Batidas no chão com os rifles ou fuzis, cujos tiros são às vezes disparados, também constituem uma marcação na coreografia. Do ruído das alpercatas (xá-xá-xá) usadas pelos "cabras", derivou o nome "Xaxado".

MARACATU

Tal como as Congadas do Sudeste, o Maracatu relembra a coroação, pelos escravos, de seus reis, as chamadas coroações dos reis-de-congo. É característico de Pernambuco, mas recentemente também foi constatada sua forte presença no Ceará.
Para alguns autores, o nome deriva de maracá, instrumento musical utilizado nesse folguedo. Para outros, é resultado do barulho produzido por determinado ritmo com tambores que os negros utilizavam como senha para avisar a proximidade da polícia. O som lembraria o vocábulo "ma-ra-ca-tu". Vê-se, no Maracatu, rico e colorido figurino, com bijuterias, espelhos e outros adereços cintilantes.
Com a libertação dos escravos, o Maracatu passou a integrar o carnaval. Em muitos deles também se fazem presentes figuras representativas dos orixás do Candomblé. Do cortejo, fazem parte rei e rainha, dançarinas com roupas típicas de baianas, o porta-estandarte, e, entre outros, a dama-do-paço, que porta uma boneca chamada "calunga".

CABOCLINHOS

"Caboclinho é uma dança de origem indígena, como o próprio nome indica. No Nordeste, a palavra caboclo é utilizada para designar o índio ou, no máximo, o cruzamento de índio com o branco. E caboclinhos são os filhos dos caboclos" (Carlos da Fonte Filho, em "Espetáculos Populares de Pernambuco", Edições Bagaço).
Dos mais antigos bailados de que se tem notícia no Brasil, foi registrado pela primeira vez em tribos indígenas nordestinas, em 1854, por Fernão Cardim, informa Gustavo Cortes. "Atualmente, são grupos fantasiados de índios que, ao som de pequenas flautas e bandas de pífanos, saem pelas ruas das cidades do Nordeste, no período carnavalesco. Executam um bailado ritmado, em séries de saltos e bate-pés, marcado pelos estalidos secos das preacas (espécie de arco e flecha)" (op. cit., pág. 92). Os dançarinos, que executam essa ágil coreografia, usam saias de penas, colares e cocares repletos de plumas e adornos cintilantes, em meio a outros adereços.

ARARUNA

Do Rio Grande do Norte (também dançada na Paraíba) é uma dança que faz referência a um pássaro preto chamado araruna, proveniente do Pará, muito comum na região. Ele é uma ameaça constante aos arrozais. Quando despontam os pendões de arroz, essas aves passam a comêlos avidamente. Se não são contidas, devoram toda a plantação. Para garantir a colheita, então, há que se afugentar essas aves.
E desse tanger das ararunas que se originaram a dança e a letra da música: "Xô, xô, xô, Araruna Os movimentos se dão para frente, para trás e para os lados. São passos alusivos ao próprio pássaro.
Uma variante no Amazonas é chamada Iraúna, na qual há uma pequena encenação. Uma solista representa essa ave; um outro brincante, um caçador, que tenta capturá-la; quando consegue, assume o lugar do pássaro.

TOREM

"Dança de terriro, de influência ameríndia, lúdico-imitativa. Os participantes, de mãos dadas, formam uma grande roda. Ao centro, o tocador de aguaim (maracá) agita-o, solando a dança que é imitada pelos demais participantes.
E uma dança agitada, com movimentos de corpo, requebros, batidas de pés no solo e imitação de animais de seu convívio: a cobra caninana, o guaxinim, a jaçanã, conhecidíssimos no Ceará. Cantam em coro em que, de permeio, ouvem-se vocábulos indígenas. Tomam mocorocó, bebida fermentada de suco de caju", explica Alceu Maynard Araújo (op. cit., pág. 259)

MANElRO-PAU

Também chamada Mineiro-pau, é originária da região de Cariri e de Juazeiro do Norte, no Ceará, onde os empregados das fazendas lutavam, em treinamento, com pedaços de madeira. Dança de roda em que os participantes portam um ou dois bastões que se entrechocam, maneira das espadas, sendo percutidos, ora grupalmente, ora entre um e outro dançarino, em revezamento, numa ordem na qual há duas, três ou mais batidas.
Carlos Felipe de Melo informa que é uma dança também encontrada no interior dos Estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Zona da Mata de Minas. "Com uniformes coloridos e apresentando-se muito no período pré-carna-valesco, a dança costuma ter, na festa, personagens como o boi, a mulinha e o jaraguá" (op. cit., pág. 118).

TAMBOR DE CRIOULA

Típica do Maranhão, com alguma presença no Piauí, é uma dança cujo ritmo é obtido por meio de três tambores feitos de tronco, escavados a fogo. A coreografia é executada individualmente e consiste em sapateios e remelexos voluptuosos com o corpo inteiro dos dançarinos em formação circular. E dança de terreiro, sem data fixa para ser apresentada.
A variedade no comprimento dos tambores, segundo Caseia Frade, "sugere denominações específicas: o tambor grande é chamado Socador; o médio, Crivador ou Meão; o pequeno, Perenga ou Pirerê" (em "Folclore", pág. 65, 2a edição, Ed. Global).

http://www.portalsaofrancisco.com.br/